quinta-feira, 21 de maio de 2015

GOE vai reabrir inquérito que apura tentativa de extorsão contra padre

Suspeito teria pedido R$ 30 mil para não divulgar fotos em redes sociais.
Após ter confessado ao religioso, ele será ouvido pela Polícia Civil.


O Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil de Pernambuco vai reabrir o inquérito que investiga uma tentativa de extorsão contra o padre Severino Ézio de Melo, 36 anos, integrante da diocese de Pesqueira, cidade do Agreste pernambucano. A investigação iniciada no fim do mês de abril já tinha sido remetida à Justiça, mas será retomada pela polícia em função da confissão que o suspeito teria feito para o religioso.
"O padre relata, em um primeiro momento, que teria sido vítima de extorsão, quando enviaram mensagens para seu celular exigindo dinheiro, na condição de não divulgar algumas fotos. O suspeito, para provar que tinha essas fotos do padre, as enviou através de aplicativo de celular, o que deu ênfase realmente à extorsão e que deixou o padre bastante perturbado, e o fez vir até essa delegacia denunciar o fato criminoso", disse o delegado Cláudio Castro, titular da investigação, em coletiva realizada nesta terça (19), no Recife.
Castro informou que, a partir da primeira denúncia, as pessoas indicadas pelo padre foram ouvidas, inclusive o suspeito, que inicialmente negou a autoria das mensagens. "Posteriormente, ele teria confessado ao padre. No momento oportuno, vai ser tomado seu depoimento [do suspeito], provavelmente vai haver seu indicamento e o inquérito vai ser concluído. Aí ficará a critério do Ministério Público denunciar ou não", explica o delegado.
Ernesto Cavalcanti, assessor jurídico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está responsável pela defesa do padre. "Estamos acompanhando isso desde o começo. Fomos nós quem levamos o padre para o GOE, porque ele estava acuado, recebendo constantes ameaças. O elemento pedia R$ 30 mil para não colocar nas redes sociais fotos comprometedoras", comentou.
Segundo o advogado, a investigação começou imediatamente, com a apreensão do celular do padre para perícia e análise das mensagens recebidas. "As fotos existem e são reais. Para os padrões de hoje seriam normais, mas em se tratando de um padre, são comprometedoras, porque contrariam os dogmas da Igreja", diz Cavalcanti.
A extorsão não se concretizou, uma vez que o pagamento não foi feito. "O padre disse que tem um terreno e que o colocou à venda, mas não se consegue levantar isso de uma hora para outra, não se vende um terreno assim", detalhou o advogado.
Delegado Cláudio Castro encaminhou pedido à Justiça para receber inquérito de volta (Foto: Lorena Andrade / TV Globo)Delegado Cláudio Castro encaminhou pedido à Justiça
para receber inquérito de volta (Foto: Lorena Andrade /
TV Globo)
Na segunda-feira (18), a diocese de Pesqueira afastou temporariamente o religioso de suas funções sacerdotais. "A Igreja não aceita qualquer tipo de comportamento contrário aos princípios da moral e ética cristãs", diz o comunicado assinado por Dom José Luiz Ferreira Sales, bispo de Pesqueira.
"O padre reagiu com muita tristeza à suspensão, está muito abalado com as informações. Ela pode ser revertida, mas creio que difícilmente será. Agora ele está suspenso de todos os atos religiosos, por tempo indeterminado. A tolerância da Igreja hoje para com esses deslizes é zero. O bispo está cumprindo o Código de Direito Canônico", resumiu Cavalcanti.
O celular e o chip do suspeito já estão em poder da investigação e serão analisados. "Apesar disso, não há a certeza de que essas são as únicas cópias das fotos", disse o advogado.

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