quinta-feira, 20 de março de 2014

Caxangá vai ganhar via para bicicletas

Principal eixo de ligação entre o Centro do Recife e a Zona Oeste, avenida ganhará ciclofaixa de 8,1 quilômetros


Segundo pesquisa, 5.800 ciclistas trafegam pela Caxangá diariamente / Hélia Scheppa/JC Imagem


Principal eixo de ligação entre o Centro do Recife e a Zona Oeste, a Avenida Caxangá está sendo redimensionada para receber o Corredor Leste-Oeste, via exclusiva que funcionará com o sistema BRT (ônibus de trânsito rápido), previsto para entrar em teste no dia 4 de abril. O novo esquema de circulação proposto pelo Governo do Estado inclui 8,1 quilômetros de ciclofaixas unidirecionais nas pistas da direita da Caxangá e da Joaquim Ribeiro – que a complementa, demarcadas por pintura e tachões, com trechos em curva e subindo às calçadas. 
Antes mesmo de sair do papel, o projeto está gerando polêmica entre representantes de ciclistas. Pela proposta, quatro faixas centrais da avenida serão utilizadas para o corredor de BRT e os demais veículos motorizados ficam com outras quatro faixas, todas com três metros de largura. As ciclofaixas medem 1,6 metro e as calçadas chegam à largura mínima de 1,2 metro em alguns trechos na altura das estações. 
“Essa lógica contraria as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que estabelece prioridade para pedestres e veículos não motorizados”, avalia o engenheiro Daniel Valença, coordenador da Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo), que participa das discussões.
Segundo ele, não faz diferença se será implantada ciclofaixa ou ciclovia no local, apenas se a velocidade da via será compatível com o modelo escolhido. “Se a velocidade da Caxangá for determinada em 40 km, as ciclofaixas funcionam bem, mas, como esses espaços são delimitados por pintura ou tachões, eles não são indicados em vias com velocidade de 60 km. Aí só a ciclovia, que tem separação física, por questão de segurança”, salienta Daniel.
A Ameciclo também questiona as calçadas compartilhadas e curvas. “Por conta da largura das estações, o projeto prevê a ciclofaixa subindo às calçadas, nesses pontos, deixando a largura mínima permitida para os pedestres exatamente onde haverá grande demanda de pessoas saindo das estações ao mesmo tempo. Ou elas vão invadir as ciclofaixas ou os ciclistas vão invadir as pistas”, pondera Daniel.
A proposta da Ameciclo é que o Estado inverta as prioridades, reduzindo a largura das faixas de veículos motorizados para 2,5 metros e aumentando os espaços de pedestres e dos ciclistas, inclusive com possibilidade de ultrapassagem, pois a última pesquisa da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), atualizada em 2008, indicava 5.800 ciclistas por dia trafegando na Avenida Caxangá. “Mas esse número certamente já está maior e ainda há previsão de que parte do fluxo de outras vias passe para lá”, ressalta o engenheiro.
A preocupação tem embasamento. Conforme pesquisa realizada pelo governo, 50% dos ciclistas usam o veículo nos horários de pico e fazem a opção considerando sua rapidez. Na Caxangá, em levantamento informal da CTTU, todos os entrevistados disseram usar a via diariamente, tendo a bicicleta como principal meio de transporte, apesar do sentimento de insegurança.

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